A música já diz tudo.
Ahh como é horrível, em poucos segundos estava tudo bem, derrepente não consigo ficar em pé. O medo toma conta de mim, ningúem conhecido por aqui, mesmo todos tão preocupados como se me conhecessem. Não tem como correr, as pernas parecem não responder.
Droga meu braço está quebrado! Cuidado!
Pelo que me disseram, achei que ia ver cérebro, disse a enfermeira. Simpatica ela não foi, mas sua mão na minha não me chateia, é única que posso segurar agora, aqui o menino chora, e a mãe não se importa, aliás ela sabe onde estou agora.
Será que vou morrer? Estou com frio.
Minha cabeça dói, mal consigo ver o tamanho do perigo. Só sei que parece estar tudo acabado, bem que me avisaram que moto é perigoso, mas enfim, eu gosto do vento no rosto!
Torço para não ficar paraplégico, não daria para andar de moto. O medo a tempos já não faz mais parte de mim, e enquanto eu tiver partes, vou levantar depois de cair. Foi isso que aprendi quadno muleque, ralando e levantando, é assim que a gente cresce.
Homem não foi feito para ser preso, o espírito já é preso no corpo, se o corpo ficar preso em ferragens, melhor que atrás das grades.
Então acho que vou levantar. Da próxima vez, olho antes de passar. Quem vive com medo, com medo encontra a dor, quem tem coragem, se afirma como animal selvagem, não aquele velho leão atrás das grades, não como aquele velho cidadão que foi morar em condomínio fechado por ser covarde.

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